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Venda de água engarrafada está a diminuir

Os Portugueses preferem a água engarrafada ma vendas estão a diminuir.

A maioria dos portugueses prefere água engarrafada à da torneira por confiar mais na qualidade, mas a venda de garrafas de água diminuiu nos últimos dois anos, segundo a associação do sector por causa da crise económica.

Fonte: Destak/Lusa | Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar (24/10/2009)

O último estudo comparativo entre a água da torneira e a engarrafada, realizado em 2007 pelo Instituto Regulador da Água e Resíduos (IRAR) com base em mil entrevistas telefónicas, revelou que cerca de 45 por cento da população bebia água engarrafada e 38 por cento água da rede pública. Os restantes bebiam água de fontanário ou captação própria.

fonte imagem: www.catalogosustentavel.com

"Quem bebia água da rede pública, fazia-o porque tinha confiança na sua qualidade e quem bebia água engarrafada fazia-o pelo motivo oposto. Este é o cenário que queremos inverter", afirmou à Lusa Jaime Melo Baptista, presidente do IRAR.

No entanto, o controlo da água da rede pública nunca foi tão completo em Portugal como no ano passado, quando o relatório anual do IRAR sobre a qualidade da água para consumo humano concluiu terem sido realizadas praticamente todas as análises exigidas por lei (99,3 por cento) e com um cumprimento de 97,6 por cento dos valores legalmente exigidos.

Estimar a quantidade da água da torneira bebida pelos portugueses não é fácil, admite Melo Baptista, uma vez que os valores medidos nos contadores se referem à globalidade da utilização doméstica. Contudo, considera-se que em média cerca de três por cento do consumo doméstico total se destina a ingestão e preparação de alimentos, afirmou.

Quanto à água engarrafada, segundo a Associação Portuguesa dos Industriais de Águas Minerais e Naturais e de Águas de Nascente (APIAM), cada português consome 96 litros por ano, mas no ano passado vendeu-se menos cinco por cento do que no anterior.

"Também este ano, nos primeiros seis meses, registámos uma quebra de 1,4 por cento nas vendas de águas minerais e de nascente" face ao mesmo período de 2008, afirmou à Lusa o secretario-geral da APIAM, Furtado Mendonça, adiantando que "a crise económica é a principal responsável".

Para o responsável, o consumo de água engarrafada em Portugal está directamente relacionado com as preocupações de saúde: "A água nacional engarrafada é um produto 100 por cento natural. Não tem tratamentos químicos como a água da torneira e é mais saudável e de melhor qualidade".

O presidente do IRAR, por sua vez, recusa que o cidadão deva optar pela água engarrafada por uma questão de qualidade. "É compreensível que alguns consumidores possam não apreciar o gosto de uma água desinfectada, em geral por cloragem, mas ela é necessária para assegurar que a água mantém a sua qualidade ao longo do longo trajecto entre a captação e a torneira", afirma.

Melo Baptista acrescenta que outro factor "parece ser o desejo de consumir um produto diferenciado, que não sendo necessariamente de melhor qualidade, tem sabor e imagem distintivas".

"O cidadão deve ser livre de optar pelo produto que preferir, mesmo que ele seja incomparavelmente mais caro", afirmou o presidente do IRAR.

Melo Baptista alerta no entanto: "Quem consome água engarrafada deve estar ciente de que provoca um impacte no ambiente muito significativo, que resulta do maior consumo de energia para a produção da embalagem e para o seu transporte e da geração de resíduos de embalagem".

(Texto de Vanda Proença, da agência Lusa)

Fonte: Destak/Lusa | Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar (24/10/2009)

 

Fonte imagem: pensandoverde.blogtv.uol.com.br

 

A EcoVitae informa de forma responsável o seguinte:

Na conjuntura económica e financeira que o País atravessa é compreensível que as famílias portuguesas ponderem os seus custos, o decréscimo do consumo de água engarrafada reflecte uma quebra generalizada em todos os bens de consumo, no caso particular da água, uma informação não inteiramente correcta ou completa, pode induzir os menos informados a optar por alternativas á água engarrafada e em muitos casos de menor qualidade, no entanto a sensibilização das famílias Portuguesas no que se refere à importância da qualidade da água é evidenciada pelos 45% da população que consome água engarrafada.

É de realçar que o factor positivo que refere o cumprimento dos valores legalmente exigidos pelo Dec. Lei 306/2007 com uma taxa de aprovação de 97,6%, engloba compostos nocivos derivados do processo de desinfecção/tratamento da água bem como a presença de outros compostos tóxicos inerentes á rede de distribuição.

No respeitante à água engarrafada, os dados que demonstram que em média cada cidadão português consome 96 litros/ano, representa um problema secundário que não deve ser menosprezado, os resíduos produzidos derivados das embalagens de acondicionamento, que embora sejam recicláveis muitas vezes acabam depositadas em aterros controlados e não controlados (lixeiras), estudos demonstram que apenas 86% das garrafas de plástico são recicladas, assumindo um consumo de 900 000 000 de garrafas de água de plástico por ano com custos energéticos e consequentes emissões de Gases de efeito estufa (G.E.E.), verificamos a dimensão do problema, que reflecte a nossa sociedade de consumo.

A afirmação que a água engarrafada é 100% natural, pode ser contrastada com o prazo de validade da mesma que pode superar um ano, com o tipo de material usado nas embalagens (P.E.T.) cujos estudos recentes questionam a sua inocuidade na alteração das propriedades da água, bem como todo o processo de transporte e armazenamento sujeito às mais variadas formas de agressão (luz solar; variações de temperatura, etc...), todos estes factores somadas ás características de mineralização e pH das diferentes águas engarrafadas são suficientes, para questionar o seu impacto na saúde humana.

As afirmações do Presidente do I.R.A.R. (Instituto Regulador das Águas e Resíduos), evidenciam a questão visível do problema de desinfecção (processo de cloração) devido ao sabor característico do excesso de Cloro presente na água, mas não refere o problema relacionado com a presença de Trihalometanos (compostos cancerígenos) inerentes ao processo de cloração.

É verdade que o consumidor tem total liberdade de escolha, mas essa escolha não deve ser influenciada por afirmações que por vezes não revelam toda a informação necessária para essa mesma escolha.